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Tema de redação: saúde mental dos jovens hiperconectados

Por Equipe Azimus · · Atualizado

Dois jovens conversam num banco de praça; ela segura o celular com a tela voltada para baixo, enquanto outros jovens ao fundo usam o telefone.

Este tema de redação permite discutir como usos digitais problemáticos podem afetar o sono, a convivência e o bem-estar dos jovens sem tratar toda conexão como causa de adoecimento. A página desenvolve dois desafios: responsabilizar também plataformas e instituições pelos riscos do ambiente digital e articular escola, saúde e assistência social para acolher o sofrimento.

Proposta de redação

A partir da leitura dos textos motivadores e dos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo, em modalidade escrita formal da língua portuguesa, sobre o tema “Caminhos para proteger a saúde mental dos jovens em uma sociedade hiperconectada”. Defenda um ponto de vista e apresente uma proposta de intervenção que respeite os direitos humanos.

Texto motivador I

O guia federal Crianças, adolescentes e telas afirma que usos problemáticos ou excessivos de dispositivos digitais estão associados a sofrimento mental e a prejuízos no desenvolvimento. O documento não recomenda eliminar a tecnologia: orienta acompanhamento familiar ou de educadores durante a adolescência, educação digital e midiática e produtos com segurança incorporada desde a concepção.

Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República — Crianças, adolescentes e telas: Guia sobre usos de dispositivos digitais, 2025.

Texto motivador II

Em 2024, 93% das pessoas de 9 a 17 anos eram usuárias de Internet no Brasil, cerca de 24,5 milhões. Entre os usuários, 95% acessavam a rede todos os dias ou quase todos os dias e 83% possuíam perfil próprio em ao menos uma das plataformas investigadas. A TIC Kids Online Brasil entrevistou 2.424 crianças e adolescentes e igual número de responsáveis.

Fonte: Cetic.br|NIC.br — Pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024 — Resumo Executivo, publicada em 2025.

Texto motivador III

A Lei nº 14.819/2024 criou a Política Nacional de Atenção Psicossocial nas Comunidades Escolares. A norma determina articulação permanente entre educação, saúde e assistência social para promoção, prevenção e atenção psicossocial. Também prevê acesso ao cuidado, participação ativa dos estudantes, integração com serviços do território e prioridade federal para locais vulneráveis.

Fonte: Presidência da República — Lei nº 14.819, de 16 de janeiro de 2024.

O recorte

O foco é a relação entre a vida digital intensa e a saúde mental de adolescentes e jovens: sono prejudicado, comparação social, pressão por disponibilidade permanente, exposição a violência online e dificuldade de pedir ajuda. Também entram os benefícios da conexão, como convivência, aprendizagem, expressão e acesso a apoio, porque “hiperconectada” não significa que todo uso seja nocivo.

É preciso distinguir uso frequente de uso problemático. Frequência descreve quanto alguém acessa; uso problemático envolve perda de controle ou prejuízo relevante em atividades, vínculos e bem-estar. A presença simultânea de sofrimento e muitas horas de tela, por si só, não prova que uma coisa causou a outra: condições familiares, escolares, econômicas e individuais também interferem. Ficam fora do recorte diagnósticos feitos sem avaliação profissional, a proibição genérica da Internet e a responsabilização exclusiva do jovem. A discussão consistente identifica mecanismos específicos de risco e define responsabilidades de plataformas, famílias, escolas e serviços públicos.

Repertórios para desenvolver a discussão

Repertório

O que é

Como conectar ao tema

Erro de uso

Determinantes digitais da saúde mental juvenil — OMS, 2025

Revisão de 226 estudos que descreve uma relação complexa entre tecnologia e bem-estar, influenciada pelo tipo de uso, pelo contexto pessoal e pelo desenho das plataformas.

Ajuda a explicar por que o argumento deve apontar mecanismos concretos, como conteúdo nocivo, uso noturno ou recursos que prolongam a permanência.

Transformar associação em prova de que redes sociais causam todo sofrimento juvenil.

Lei nº 14.811/2024

Norma que prevê protocolos escolares de proteção contra violências e tipifica a intimidação sistemática virtual, o cyberbullying.

Fundamenta prevenção, capacitação e resposta coordenada quando a violência digital atinge estudantes.

Reduzir o cuidado em saúde mental à punição criminal do agressor.

Lei nº 13.935/2019

Determina serviços de psicologia e serviço social nas redes públicas de educação básica por equipes multiprofissionais.

Sustenta escuta qualificada e articulação da escola com serviços do território, sem atribuir ao professor a função de diagnosticar.

Defender que cada escola deve resolver sozinha casos que exigem atenção em saúde.

Caminhos de argumentação

Como preservar os benefícios da vida conectada sem naturalizar formas de uso que prejudicam o bem-estar juvenil?

Ambientes digitais que favorecem permanência e exposição contínuas

Recursos como rolagem infinita, reprodução automática e notificações reduzem os pontos naturais de interrupção e podem prolongar o uso, inclusive à noite. Quando essa dinâmica se combina com comparação social, busca de aprovação ou violência online, a conexão deixa de ser apenas meio de convivência e passa a disputar sono, atividade física e relações presenciais. O efeito não é idêntico para todos, pois depende do conteúdo, do contexto e das vulnerabilidades de cada jovem; por isso, atribuir o sofrimento apenas ao tempo de tela esconde os mecanismos sobre os quais plataformas e políticas podem agir.

Sofrimento individualizado e rede de cuidado fragmentada

Sinais como isolamento, alteração persistente do sono ou queda no funcionamento cotidiano podem ser tratados como falta de disciplina, enquanto famílias, escolas e serviços públicos atuam sem fluxo comum. Sem espaço seguro de escuta, o jovem pode ocultar violência digital ou evitar ajuda por medo de julgamento; sem encaminhamento definido, a escola identifica o problema, mas não consegue conectá-lo ao cuidado adequado. A fragmentação prolonga situações que exigem atenção e atinge com mais força quem não dispõe de atendimento privado. A escola pode acolher e encaminhar, mas diagnóstico e tratamento pertencem aos serviços habilitados.

Rotas de intervenção

Proteção incorporada aos ambientes digitais

  • Agente: Secretaria Nacional do Consumidor, em articulação com o Ministério da Saúde e as plataformas digitais.

  • Ação: estabelecer padrões de proteção e bem-estar para serviços usados por adolescentes.

  • Meio: avaliações periódicas de risco, controles etários ativados por padrão, opção clara de desativar recomendações e notificações e canais acessíveis para denunciar conteúdo nocivo ou cyberbullying.

  • Finalidade: reduzir mecanismos de exposição prolongada e facilitar a interrupção de experiências prejudiciais.

  • Detalhamento: publicar relatórios de transparência com riscos identificados, medidas adotadas e resultados por faixa etária.

Rede territorial de escuta e encaminhamento

  • Agente: municípios, por meio dos Grupos de Trabalho Intersetoriais do Programa Saúde na Escola.

  • Ação: implantar protocolo comum para reconhecer sofrimento, acolher o estudante e encaminhá-lo quando necessário.

  • Meio: formação de profissionais, canais presenciais e sigilosos de escuta, definição de sinais de alerta e fluxo entre escola, atenção primária, assistência social e Rede de Atenção Psicossocial.

  • Finalidade: oferecer ajuda antes do agravamento e evitar que família, professor ou jovem enfrentem o problema isoladamente.

  • Detalhamento: divulgar o fluxo em linguagem acessível e acompanhar tempo de espera e continuidade do atendimento, preservando a confidencialidade.

Perguntas para orientar seu planejamento

Use estas perguntas para escolher e testar seu caminho argumentativo; não é necessário desenvolver todas.

  • O argumento distingue conexão frequente de uso que provoca perda de controle ou prejuízo?

  • Qual mecanismo digital está relacionado ao problema discutido: uso noturno, comparação, conteúdo nocivo, cyberbullying ou outro?

  • Os benefícios da Internet para convivência, aprendizagem ou apoio alteram a abordagem escolhida?

  • Que fatores familiares, escolares ou sociais impedem atribuir todo sofrimento à tecnologia?

  • Quais responsabilidades pertencem às plataformas e às instituições, além das escolhas individuais do jovem?

  • Como a escola pode acolher e encaminhar sem realizar diagnóstico clínico?

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