Tema de redação: mudanças climáticas nas cidades brasileiras
Por Equipe Azimus · · Atualizado

Este tema de redação do ENEM permite discutir por que enchentes, deslizamentos e calor extremo se tornam mais destrutivos quando o planejamento urbano ignora riscos climáticos. A página desenvolve dois desafios: prevenir a ocupação e a expansão de áreas vulneráveis e transformar planos de adaptação em medidas coordenadas, com prioridade para as populações mais expostas.
Proposta de redação
A partir da leitura dos textos motivadores e dos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo, em modalidade escrita formal da língua portuguesa, sobre o tema “Caminhos para enfrentar os impactos das mudanças climáticas nas cidades brasileiras”. Defenda um ponto de vista e apresente uma proposta de intervenção que respeite os direitos humanos.
Texto motivador I
O IPCC aponta que as mudanças climáticas já afetam a saúde, os meios de subsistência e a infraestrutura nas cidades. Ondas de calor se intensificaram nos espaços urbanos, enquanto chuvas extremas e elevação do nível do mar ampliam riscos de inundação. O relatório também identifica a urbanização rápida e sem planejamento, sobretudo em áreas sujeitas a enchentes e deslizamentos, como fator que aumenta a exposição.
Fonte: IPCC — Climate Change 2022: Impacts, Adaptation and Vulnerability, capítulo 6, 2022.
Texto motivador II
A Base Territorial Estatística de Áreas de Risco, produzida pelo Cemaden e pelo IBGE, permitiu caracterizar moradores e moradias em áreas suscetíveis a inundações e deslizamentos de mais de 800 municípios brasileiros. A distribuição espacial e as características da população ajudam a emitir alertas e a identificar grupos que precisam de atenção especial diante de um desastre, como crianças e idosos.
Fonte: Cemaden e IBGE — População em áreas de risco de desastres, 2023.
Texto motivador III
A Lei nº 14.904/2024 determina que planos de adaptação incorporem o risco climático às políticas públicas e priorizem setores e regiões mais vulneráveis. Para a infraestrutura urbana, a norma inclui habitação, áreas verdes, transporte, saúde, educação, saneamento e segurança hídrica. Também prevê soluções baseadas na natureza e participação social das populações mais afetadas na formulação das medidas.
Fonte: Presidência da República — Lei nº 14.904, de 27 de junho de 2024.
O recorte
O tema pede medidas para adaptar cidades brasileiras aos efeitos atuais e esperados das mudanças climáticas. Entram no recorte enchentes, deslizamentos, secas, escassez hídrica e calor extremo quando relacionados ao uso do solo, à moradia, à drenagem, às áreas verdes, ao transporte ou aos serviços públicos urbanos. São afetados moradores, trabalhadores, gestores públicos e usuários de equipamentos essenciais, mas a vulnerabilidade varia conforme localização, renda, idade e capacidade de resposta.
É necessário distinguir adaptação de mitigação. Adaptar significa reduzir danos que já ocorrem ou podem ocorrer, por exemplo com mapeamento de risco, drenagem e abrigos climáticos. Mitigar significa reduzir emissões que intensificam o aquecimento global. As duas estratégias podem se complementar, mas discutir apenas energia limpa ou desmatamento, sem conectar essas ações ao território urbano, tangencia o tema. Também não basta atribuir cada desastre exclusivamente ao clima: ocupação inadequada, infraestrutura insuficiente e decisões de planejamento ajudam a determinar quem fica exposto e qual será a dimensão do dano.
Repertórios para desenvolver a discussão
Repertório | O que é | Como conectar ao tema | Erro de uso |
|---|---|---|---|
Marco da política urbana que orienta o uso do solo pelo bem coletivo, pela segurança e pelo equilíbrio ambiental. | Permite defender que planos diretores evitem exposição a desastres e disciplinem a expansão urbana. | Citar “função social da cidade” sem explicar qual decisão territorial reduziria o risco. | |
Marco de Sendai para Redução do Risco de Desastres 2015–2030 | Referência internacional que fortalece autoridades locais e estratégias de prevenção e resiliência. | Sustenta cooperação entre prefeitura, comunidades e outros atores antes do desastre, não apenas resposta emergencial. | Apresentá-lo como lei brasileira ou como plano exclusivo para eventos climáticos. |
Política Nacional de Proteção e Defesa Civil — Lei nº 12.608/2012 | Política que atribui aos municípios mapeamento, fiscalização e prevenção em áreas de risco. | Fundamenta medidas permanentes de monitoramento, contingência e controle de novas ocupações vulneráveis. | Reduzir defesa civil a socorro depois da enchente ou do deslizamento. |
Caminhos de argumentação
Como converter conhecimento sobre riscos climáticos em prevenção territorial e proteção efetiva da população urbana?
Planejamento urbano que reproduz a exposição ao risco
O risco climático cresce quando a expansão da cidade ocorre sem considerar relevo, drenagem, cobertura vegetal e histórico de desastres. Nessa situação, moradias e serviços podem ocupar locais sujeitos a inundação ou deslizamento, enquanto a impermeabilização do solo acelera o escoamento da chuva. Mapear a ameaça sem usar o diagnóstico no plano diretor, no licenciamento e nos investimentos mantém o mesmo padrão de exposição. Assim, um evento extremo encontra infraestrutura despreparada e produz interrupções, perdas materiais e deslocamentos que poderiam ser reduzidos por decisões preventivas de ordenamento territorial.
Adaptação fragmentada e distante das populações vulneráveis
Mesmo quando existem dados e atribuições legais, a adaptação pode permanecer dispersa entre habitação, saneamento, mobilidade, saúde e defesa civil. Sem coordenação, uma obra resolve um ponto e transfere água ou risco para outro território; sem participação social, o plano pode ignorar rotas, horários, limitações físicas e redes de apoio conhecidas pelos moradores. A consequência é uma proteção desigual: quem dispõe de menos recursos para reformar a casa, deslocar-se ou interromper o trabalho enfrenta maior dificuldade de resposta e recuperação. A participação não substitui a análise técnica, mas fornece informação local necessária para priorizar medidas.
Rotas de intervenção
Planejamento territorial orientado por risco
Agente: prefeituras, por meio dos órgãos de planejamento urbano, meio ambiente e defesa civil.
Ação: integrar o mapeamento de ameaças e vulnerabilidades ao plano diretor e ao orçamento municipal.
Meio: condicionar licenciamento e expansão urbana às cartas de risco, priorizar drenagem e contenção nos pontos críticos e publicar cronograma de execução.
Finalidade: impedir novas exposições e reduzir danos em áreas já ocupadas.
Detalhamento: acompanhar metas com indicadores territoriais e atualizar os mapas após eventos ou mudanças relevantes.
Plano local de adaptação com participação comunitária
Agente: governos municipais, com conselhos locais, universidades e organizações comunitárias.
Ação: elaborar e executar planos de adaptação por bairro ou bacia urbana.
Meio: consultas acessíveis combinadas a diagnóstico técnico para definir áreas verdes, rotas de evacuação, alertas, pontos de abrigo e proteção de serviços essenciais.
Finalidade: coordenar políticas setoriais e priorizar moradores mais expostos e com menor capacidade de resposta.
Detalhamento: testar protocolos periodicamente e divulgar responsáveis, prazos e canais de alerta.
Perguntas para orientar seu planejamento
Use estas perguntas para escolher e testar seu caminho argumentativo; não é necessário desenvolver todas.
Como as decisões urbanas ampliam ou reduzem os danos provocados por um evento climático?
Seu argumento trata de adaptação às mudanças climáticas ou de redução de emissões? Como essa escolha se relaciona às cidades?
Quais fatores, além da mudança climática, ajudam a explicar a gravidade de enchentes ou deslizamentos?
Que decisão territorial pode ser orientada pelo mapeamento de risco?
Por que políticas de habitação, drenagem e defesa civil precisam atuar de forma coordenada?
Como incluir a participação dos moradores sem transferir a eles a responsabilidade do poder público?
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Veja como transformar informações territoriais e climáticas em argumentos coerentes na Redação ENEM.
Aprenda a detalhar agentes, meios e finalidade em uma proposta de intervenção.
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