Competência 5 do ENEM: proposta de intervenção e direitos humanos
Por Equipe Azimus · · Atualizado
Resumo: A Competência 5 da redação do ENEM avalia a elaboração de uma proposta de intervenção para o problema discutido no texto, respeitando os direitos humanos. A proposta deve estar relacionada ao tema e articulada ao projeto de texto. O elemento essencial é a ação; a cartilha do INEP pede também agente, meio de execução, efeito/finalidade e detalhamento. A nota vai de 0 a 200. Proposta que desrespeite os direitos humanos zera somente a C5 — conforme a Cartilha do(a) Participante.
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Neste artigo
O que a Competência 5 avalia
Quadro dos 6 níveis (0 a 200)
Elementos da proposta (ação, agente, meio, finalidade, detalhamento)
O que não conta como proposta
Direitos humanos na C5
Como estudar a intervenção na prática
Checklist rápido antes de entregar
O que a Competência 5 avalia
Na Matriz de Referência do INEP, a Competência V é: elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.
Propor intervenção significa sugerir uma iniciativa que busque enfrentar o problema da frase temática. Na cartilha, isso também é exercício de cidadania: além de defender um ponto de vista, você indica uma ação que interfira na realidade discutida.
A proposta precisa estar:
relacionada ao tema;
integrada ao projeto de texto (coerente com a tese e os argumentos da Competência 3);
explícita — o leitor precisa reconhecer que você está, de fato, propondo uma intervenção.
Atenção: se a redação tangenciar o tema (Competência 2), a Matriz impede nota acima de 40 também na Competência 5.
Quadro dos 6 níveis (0 a 200)
Cada competência recebe 0, 40, 80, 120, 160 ou 200 pontos. Na Competência 5, a escala da cartilha 2025 é:
Pontos | Desempenho (cartilha INEP) |
|---|---|
200 | Elabora muito bem proposta de intervenção, detalhada, relacionada ao tema e articulada à discussão do texto. |
160 | Elabora bem proposta relacionada ao tema e articulada à discussão. |
120 | Elabora de forma mediana proposta relacionada ao tema e articulada à discussão. |
80 | Elabora de forma insuficiente proposta relacionada ao tema, ou não articulada com a discussão do texto. |
40 | Proposta vaga, precária ou relacionada apenas ao assunto (não ao recorte temático). |
0 | Não apresenta proposta, ou apresenta proposta não relacionada ao tema ou ao assunto. (Desrespeito aos DH também zera a C5 — ver seção abaixo.) |
Elementos da proposta (ação, agente, meio, finalidade, detalhamento)
Para uma proposta muito bem elaborada, a cartilha orienta não só indicar uma ação, mas também o agente competente, o meio de execução, o efeito/finalidade e algum detalhamento. O âmbito da ação pode ser individual, familiar, comunitário, social, político ou governamental.
Perguntas-guia do INEP:
O que é possível apresentar como solução?
Que ação deve ser tomada?
Quem deve executá-la? (agente)
Como viabilizar? (meio/modo)
Qual efeito ou finalidade?
Que outra informação detalha a proposta?
Elemento | Papel (conforme a cartilha) |
|---|---|
Ação | Elemento essencial — a iniciativa que intervém no problema focalizado pelo tema. |
Agente | Quem executa a ação, no âmbito adequado (ex.: governo, escola, mídia, sociedade civil). |
Meio / modo | Como a ação será viabilizada. |
Efeito / finalidade | Que resultado se pretende alcançar. |
Detalhamento | Informação adicional que concreta a proposta (exemplificação, especificação etc.). |
A avaliação considera a composição da proposta que você apresentar — não um “formulário” rígido, mas a clareza e a elaboração desses elementos em conjunto.
O que não conta como proposta
Segundo a cartilha:
apenas constatar a falta de uma ação (“faltam investimentos em X”) não configura proposta;
evite propostas vagas, genéricas ou incompatíveis com a discussão do texto;
evite estruturas hipotéticas que não deixem claro o desejo de intervir (ex.: “se X for feito, o resultado poderá ser Y”), sem proposição explícita.
Em suma: exponha com clareza a intenção de intervir e contemple a situação problematizada no seu texto.
Direitos humanos na C5
Propostas que desrespeitem os direitos humanos são penalizadas na Competência 5 e recebem nota 0 na C5. Isso não anula automaticamente as demais competências (diferente da fuga total ao tema, que zera a redação inteira).
A cartilha indica como sempre contrárias aos direitos humanos, entre outras: defesa de tortura, mutilação, execução sumária ou “justiça com as próprias mãos”; incitação à violência por raça, etnia, gênero, credo, opinião política, condição física, origem geográfica ou socioeconômica; discurso de ódio contra grupos específicos.
Princípios norteadores citados na cartilha (Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos): dignidade humana; igualdade de direitos; reconhecimento das diferenças e diversidades; laicidade do Estado; democracia na educação; transversalidade, vivência e globalidade; sustentabilidade socioambiental.
Em resumo do INEP: propostas que incitam violência — sobretudo quando indivíduos administram punição (“justiça com as próprias mãos”) — desrespeitam os direitos humanos.
Como estudar a intervenção na prática
Depois da tese e dos argumentos: pergunte qual problema concreto do seu texto a proposta resolve.
Escreva a ação primeiro (elemento essencial); depois complete agente, meio, finalidade e um detalhe.
Articule à discussão: a proposta deve responder aos problemas que você mesmo desenvolveu.
Revise direitos humanos: a solução não pode incitar violência nem violar dignidade/igualdade.
Evite o genérico: troque “o governo deve melhorar” por ação + quem + como + para quê.
Checklist rápido antes de entregar
Há proposta de intervenção explícita (não só diagnóstico)?
A ação está clara e ligada ao tema/discussão do texto?
Há agente, meio/modo, efeito/finalidade e algum detalhamento?
A proposta respeita os direitos humanos?
Ela não é vaga, só hipotética ou desconectada dos seus argumentos?
Este guia faz parte do hub Redação do ENEM. Em dúvida sobre o critério oficial, consulte a cartilha do INEP.
Fontes
INEP/MEC. A Redação do Enem 2025 – Cartilha do(a) Participante, Competência V. Cartilha do(a) Participante — Redação do Enem 2025.
A Azimus não substitui a cartilha oficial. Em divergência, prevalece o INEP.