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Competência 5 do ENEM: proposta de intervenção e direitos humanos

Por Equipe Azimus · · Atualizado

Resumo: A Competência 5 da redação do ENEM avalia a elaboração de uma proposta de intervenção para o problema discutido no texto, respeitando os direitos humanos. A proposta deve estar relacionada ao tema e articulada ao projeto de texto. O elemento essencial é a ação; a cartilha do INEP pede também agente, meio de execução, efeito/finalidade e detalhamento. A nota vai de 0 a 200. Proposta que desrespeite os direitos humanos zera somente a C5 — conforme a Cartilha do(a) Participante.

Tempo de leitura estimado: 8 minutos.

Neste artigo

  1. O que a Competência 5 avalia

  2. Quadro dos 6 níveis (0 a 200)

  3. Elementos da proposta (ação, agente, meio, finalidade, detalhamento)

  4. O que não conta como proposta

  5. Direitos humanos na C5

  6. Como estudar a intervenção na prática

  7. Checklist rápido antes de entregar

O que a Competência 5 avalia

Na Matriz de Referência do INEP, a Competência V é: elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.

Propor intervenção significa sugerir uma iniciativa que busque enfrentar o problema da frase temática. Na cartilha, isso também é exercício de cidadania: além de defender um ponto de vista, você indica uma ação que interfira na realidade discutida.

A proposta precisa estar:

  • relacionada ao tema;

  • integrada ao projeto de texto (coerente com a tese e os argumentos da Competência 3);

  • explícita — o leitor precisa reconhecer que você está, de fato, propondo uma intervenção.

Atenção: se a redação tangenciar o tema (Competência 2), a Matriz impede nota acima de 40 também na Competência 5.

Quadro dos 6 níveis (0 a 200)

Cada competência recebe 0, 40, 80, 120, 160 ou 200 pontos. Na Competência 5, a escala da cartilha 2025 é:

Pontos

Desempenho (cartilha INEP)

200

Elabora muito bem proposta de intervenção, detalhada, relacionada ao tema e articulada à discussão do texto.

160

Elabora bem proposta relacionada ao tema e articulada à discussão.

120

Elabora de forma mediana proposta relacionada ao tema e articulada à discussão.

80

Elabora de forma insuficiente proposta relacionada ao tema, ou não articulada com a discussão do texto.

40

Proposta vaga, precária ou relacionada apenas ao assunto (não ao recorte temático).

0

Não apresenta proposta, ou apresenta proposta não relacionada ao tema ou ao assunto. (Desrespeito aos DH também zera a C5 — ver seção abaixo.)

Elementos da proposta (ação, agente, meio, finalidade, detalhamento)

Para uma proposta muito bem elaborada, a cartilha orienta não só indicar uma ação, mas também o agente competente, o meio de execução, o efeito/finalidade e algum detalhamento. O âmbito da ação pode ser individual, familiar, comunitário, social, político ou governamental.

Perguntas-guia do INEP:

  1. O que é possível apresentar como solução?

  2. Que ação deve ser tomada?

  3. Quem deve executá-la? (agente)

  4. Como viabilizar? (meio/modo)

  5. Qual efeito ou finalidade?

  6. Que outra informação detalha a proposta?

Elemento

Papel (conforme a cartilha)

Ação

Elemento essencial — a iniciativa que intervém no problema focalizado pelo tema.

Agente

Quem executa a ação, no âmbito adequado (ex.: governo, escola, mídia, sociedade civil).

Meio / modo

Como a ação será viabilizada.

Efeito / finalidade

Que resultado se pretende alcançar.

Detalhamento

Informação adicional que concreta a proposta (exemplificação, especificação etc.).

A avaliação considera a composição da proposta que você apresentar — não um “formulário” rígido, mas a clareza e a elaboração desses elementos em conjunto.

O que não conta como proposta

Segundo a cartilha:

  • apenas constatar a falta de uma ação (“faltam investimentos em X”) não configura proposta;

  • evite propostas vagas, genéricas ou incompatíveis com a discussão do texto;

  • evite estruturas hipotéticas que não deixem claro o desejo de intervir (ex.: “se X for feito, o resultado poderá ser Y”), sem proposição explícita.

Em suma: exponha com clareza a intenção de intervir e contemple a situação problematizada no seu texto.

Direitos humanos na C5

Propostas que desrespeitem os direitos humanos são penalizadas na Competência 5 e recebem nota 0 na C5. Isso não anula automaticamente as demais competências (diferente da fuga total ao tema, que zera a redação inteira).

A cartilha indica como sempre contrárias aos direitos humanos, entre outras: defesa de tortura, mutilação, execução sumária ou “justiça com as próprias mãos”; incitação à violência por raça, etnia, gênero, credo, opinião política, condição física, origem geográfica ou socioeconômica; discurso de ódio contra grupos específicos.

Princípios norteadores citados na cartilha (Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos): dignidade humana; igualdade de direitos; reconhecimento das diferenças e diversidades; laicidade do Estado; democracia na educação; transversalidade, vivência e globalidade; sustentabilidade socioambiental.

Em resumo do INEP: propostas que incitam violência — sobretudo quando indivíduos administram punição (“justiça com as próprias mãos”) — desrespeitam os direitos humanos.

Como estudar a intervenção na prática

  1. Depois da tese e dos argumentos: pergunte qual problema concreto do seu texto a proposta resolve.

  2. Escreva a ação primeiro (elemento essencial); depois complete agente, meio, finalidade e um detalhe.

  3. Articule à discussão: a proposta deve responder aos problemas que você mesmo desenvolveu.

  4. Revise direitos humanos: a solução não pode incitar violência nem violar dignidade/igualdade.

  5. Evite o genérico: troque “o governo deve melhorar” por ação + quem + como + para quê.

Checklist rápido antes de entregar

  • Há proposta de intervenção explícita (não só diagnóstico)?

  • A ação está clara e ligada ao tema/discussão do texto?

  • Há agente, meio/modo, efeito/finalidade e algum detalhamento?

  • A proposta respeita os direitos humanos?

  • Ela não é vaga, só hipotética ou desconectada dos seus argumentos?

Este guia faz parte do hub Redação do ENEM. Em dúvida sobre o critério oficial, consulte a cartilha do INEP.

Fontes

A Azimus não substitui a cartilha oficial. Em divergência, prevalece o INEP.

Perguntas frequentes

O que a Competência 5 da redação do ENEM avalia?
A elaboração de uma proposta de intervenção para o problema abordado no texto, relacionada ao tema, articulada à discussão e com respeito aos direitos humanos, conforme a Matriz de Referência do INEP.
Quais elementos a cartilha pede na proposta de intervenção?
A ação é o elemento essencial. Para uma proposta muito bem elaborada, a cartilha orienta também indicar agente, meio de execução, efeito ou finalidade e algum detalhamento.
Dizer que “faltam políticas públicas” conta como proposta?
Não. Apenas constatar a falta de uma ação ou de um projeto não configura proposta de intervenção. É preciso propor, de forma explícita, uma iniciativa de intervenção.
Desrespeitar os direitos humanos zera a redação inteira?
Não. Propostas que desrespeitem os direitos humanos recebem nota 0 na Competência 5. As demais competências não são anuladas automaticamente por esse critério (diferente da fuga total ao tema).
A proposta de intervenção é obrigatória?
A Competência 5 avalia elaborá-la. Ausência de proposta, ou proposta sem relação com o tema/assunto, corresponde ao nível 0 nessa competência. Ela deve articular-se à discussão do texto e respeitar os direitos humanos.
Como tirar 200 na Competência 5?
Elaborar muito bem uma proposta detalhada, relacionada ao tema e articulada à discussão desenvolvida no texto (cartilha INEP), respeitando os direitos humanos.