Tema de redação: uso ético da IA na educação brasileira
Por Equipe Azimus · · Atualizado

Este tema de redação do ENEM permite discutir dois desafios do uso da inteligência artificial no ensino: preservar a autoria do estudante diante de ferramentas que produzem respostas e estabelecer regras institucionais para sua adoção.
Proposta de redação
Simulação educacional produzida pela Azimus. Não é uma proposta oficial do Inep.
A partir da leitura dos textos motivadores e dos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo, em modalidade escrita formal da língua portuguesa, sobre o tema “Desafios para o uso ético da inteligência artificial na educação brasileira”. Defenda um ponto de vista e apresente uma proposta de intervenção que respeite os direitos humanos.
Texto motivador I
A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais determina, no artigo 14, que o tratamento de dados de crianças e adolescentes deve atender ao seu melhor interesse. No caso das crianças, o consentimento deve ser específico e destacado, dado por pelo menos um dos pais ou pelo responsável legal. A lei também exige informações simples, claras e acessíveis sobre o tratamento realizado.
Fonte: Presidência da República — Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018.
Texto motivador II
Na pesquisa TIC Educação 2024, realizada em 1.023 escolas, 70% dos estudantes do Ensino Médio usuários de Internet declararam usar IA generativa em pesquisas escolares. Apenas 32% desse grupo disseram ter recebido orientação na escola sobre como utilizar essas ferramentas. A diferença entre adoção e orientação indica que o acesso tecnológico, sozinho, não garante uso crítico em atividades de aprendizagem.
Fonte: Cetic.br|NIC.br — TIC Educação 2024, divulgada em 2025.
Texto motivador III
O guia da UNESCO sobre IA generativa na educação propõe uma abordagem centrada no ser humano. O documento recomenda proteção da privacidade, validação ética e pedagógica das ferramentas e uso adequado à idade. Nessa perspectiva, adotar IA na escola não significa apenas disponibilizar uma plataforma: exige avaliar se ela favorece uma aprendizagem segura, equitativa e significativa.
Fonte: UNESCO — Guidance for generative AI in education and research, 2023.
O recorte
O foco não é decidir se toda inteligência artificial é boa ou ruim, mas definir em quais condições seu uso educacional é legítimo. A discussão abrange ferramentas que geram textos, imagens ou respostas, recomendam atividades e auxiliam avaliações. Estudantes, professores, famílias, escolas e redes de ensino são afetados porque esses sistemas alteram formas de pesquisar, produzir trabalhos e acompanhar a aprendizagem.
O ponto central é distinguir apoio de substituição. Uma ferramenta pode ajudar a comparar explicações, organizar ideias ou receber devolutivas, mas passa a prejudicar a formação quando entrega o trabalho intelectual que deveria ser realizado pelo estudante ou quando seu resultado é aceito sem verificação. Também ficam fora do recorte debates genéricos sobre automação de empregos e proibição de celulares sem relação direta com práticas pedagógicas. Uma abordagem consistente deve examinar finalidade, supervisão, transparência e responsabilidade, em vez de reduzir o problema à existência da tecnologia.
Repertórios para desenvolver a discussão
Repertório | O que é | Como conectar ao tema | Erro de uso |
|---|---|---|---|
Política que inclui letramento digital, cultura digital e direitos digitais na educação escolar. | Sustenta formação para uso crítico, ético e responsável, não apenas oferta de ferramentas. | Tratar letramento digital como treinamento técnico para operar aplicativos. | |
Norma ética adotada em 2021 por 193 Estados-membros. Trata de direitos humanos e de supervisão humana sobre sistemas de IA. | Serve ao passo de quem decide: sistemas usados para monitorar, avaliar ou prever comportamento de estudantes exigem requisitos estritos e supervisão humana. | Tratá-la como lei brasileira obrigatória. | |
Princípios de transparência, explicabilidade, robustez, segurança e responsabilização. | Serve ao passo seguinte: dar a quem foi afetado por um resultado automatizado condições de compreendê-lo e contestá-lo. | Citar “ética” de modo abstrato, sem associar um princípio a uma prática escolar. |
Caminhos de argumentação
Como incorporar a IA à educação sem comprometer a autonomia do estudante nem enfraquecer a responsabilidade das instituições?
Formação insuficiente para um uso crítico
A velocidade de adoção das ferramentas pode superar a capacidade das escolas de orientar seu uso. Sem compreender que respostas automáticas podem conter erros, omitir contexto ou reproduzir vieses, o estudante tende a confundir fluência verbal com confiabilidade. Essa aceitação reduz operações essenciais à aprendizagem: formular perguntas, comparar fontes, justificar escolhas e revisar o próprio raciocínio. O problema, portanto, não nasce simplesmente do contato com a tecnologia, mas da ausência de práticas pedagógicas que ensinem quando consultar, como verificar e de que modo declarar sua utilização.
Governança frágil nas instituições de ensino
Quando uma escola adota sistemas sem critérios públicos, professores e estudantes não sabem para que a ferramenta serve, que informações ela coleta nem quem responde por falhas. Esses sistemas podem tratar dados de crianças e adolescentes, titulares que recebem proteção específica da LGPD. A escola e o fornecedor precisam ter responsabilidades claramente definidas sobre a finalidade, a segurança e a transparência do tratamento. Sem protocolo, a rede perde o controle sobre um uso que pode influenciar avaliações, recomendações e acompanhamento de desempenho, e estudantes afetados ficam sem meio de compreender ou contestar o resultado. A tecnologia pode apoiar a decisão pedagógica; a responsabilidade por ela permanece humana e institucional.
Rotas de intervenção
Formação para estudantes e professores
Agente: secretarias estaduais e municipais de educação, em parceria com universidades públicas.
Ação: criar atividades de letramento em IA para estudantes e oferecer formação continuada aos professores.
Meio: oficinas com situações reais de pesquisa, verificação de respostas, registro de quando, para que finalidade e de que maneira a IA foi utilizada, e reconstrução autoral do conteúdo.
Finalidade: desenvolver autonomia intelectual e dar aos docentes critérios comuns de orientação.
Detalhamento: avaliar a formação por atividades práticas, não apenas por presença.
Protocolo institucional de adoção
Agente: redes de ensino e equipes gestoras das escolas.
Ação: estabelecer protocolo para selecionar e utilizar sistemas de IA.
Meio: avaliação prévia de finalidade, dados tratados, possibilidade de revisão humana, acessibilidade e canal de contestação.
Finalidade: impedir adoções sem responsabilidade definida e tornar compreensível o uso da tecnologia.
Detalhamento: comunicar as regras em linguagem adequada a estudantes e responsáveis e revisá-las periodicamente.
Perguntas para orientar seu planejamento
Use estas perguntas para escolher e testar seu caminho argumentativo; não é necessário desenvolver todas.
Qual uso educacional da IA será discutido, sem transformar o texto em um debate genérico sobre tecnologia?
Em que ponto a ferramenta deixa de apoiar e passa a substituir a atividade intelectual do estudante?
Como a falta de orientação compromete a aprendizagem sem tornar o aluno o único responsável?
Que ideia concreta cada repertório ajuda a sustentar?
Quem responde pelas decisões pedagógicas apoiadas por sistemas automatizados?
Como a proteção de dados dos estudantes se relaciona ao argumento desenvolvido?
Leia também
Entenda como selecionar e relacionar informações na página sobre argumentação na Redação ENEM.
Veja como transformar uma medida geral em uma proposta de intervenção completa.
Consulte o guia central para organizar sua preparação para a Redação ENEM.
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