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Redação sobre desinformação: como fortalecer o letramento digital no Brasil

Por Equipe Azimus · · Atualizado

Estudante compara no notebook uma mensagem recebida no celular; a tela do telefone está ilegível, e ela confere a informação com atenção.

Resumo: Este tema pede uma discussão sobre como preparar as pessoas para avaliar informações antes de produzi-las ou compartilhá-las e sobre o papel das plataformas na ampliação de seu alcance. Dois caminhos orientam a análise: a formação para leitura crítica ainda não chega de modo consistente a todos os estudantes, e os sistemas de distribuição também influenciam o que ganha visibilidade.

Proposta de redação

A partir da leitura dos textos motivadores e dos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo, em modalidade escrita formal da língua portuguesa, sobre o tema “Desafios para combater a desinformação e fortalecer o letramento digital no Brasil”. Defenda um ponto de vista e apresente uma proposta de intervenção que respeite os direitos humanos.

Texto motivador I

A segunda versão da Estratégia Brasileira de Educação Midiática, publicada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República em 2025, propõe ampliar a formação de profissionais da educação e o ensino de competências midiáticas em espaços formais e não formais. Também orienta a institucionalização do tema em políticas públicas e sua adaptação às diferenças regionais, culturais, geracionais e territoriais, com atenção a populações em situação de vulnerabilidade.

Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República — Estratégia Brasileira de Educação Midiática, segunda versão, 2025.

Texto motivador II

A pesquisa TIC Educação 2024 entrevistou 7.476 estudantes do 4º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio, em escolas públicas e particulares, urbanas e rurais. Entre os alunos ouvidos, 47% disseram que professores os ensinaram a verificar se informações ou notícias na Internet eram verdadeiras; 35% relataram ter sido orientados a comparar informações em sites diferentes. Os indicadores registram práticas declaradas pelos estudantes, não medem diretamente sua capacidade de identificar desinformação.

Fonte: Cetic.br|NIC.br — TIC Educação 2024, resumo executivo publicado em 2025.

Texto motivador III

As Diretrizes para a Governança de Plataformas Digitais da UNESCO, publicadas em 2023, recomendam transparência sobre moderação de conteúdo e sistemas automatizados, inclusive os mecanismos que recomendam e organizam publicações. O documento também propõe avaliações de risco, canais acessíveis de contestação e medidas de alfabetização midiática e informacional. A orientação busca enfrentar conteúdos potencialmente prejudiciais sem abandonar a liberdade de expressão e o acesso à informação.

Fonte: UNESCO — Diretrizes para a Governança de Plataformas Digitais, 2023.

O recorte

O tema não trata apenas da retirada de conteúdos falsos da Internet. Ele permite discutir as habilidades necessárias para verificar autoria, evidências, data e contexto antes de acreditar ou compartilhar uma mensagem, além das decisões das plataformas que influenciam seu alcance. O relatório Information Disorder, publicado pelo Conselho da Europa em 2017, distingue informação incorreta — falsa, mas compartilhada sem intenção de causar dano — de desinformação, conscientemente falsa e difundida para causar dano. Essa diferença evita chamar qualquer erro de campanha deliberada.

Letramento digital, neste recorte, também não significa apenas saber operar aplicativos. Envolve compreender como conteúdos são produzidos, selecionados e distribuídos, além de avaliar por que uma fonte merece confiança. O estudante pode concentrar a discussão na formação escolar e comunitária ou na transparência dos sistemas de recomendação, desde que mostre como esses fatores favorecem ou dificultam decisões informadas. Ficam fora do centro do tema a condenação genérica da tecnologia, a proibição da Internet e a responsabilização exclusiva do usuário.

Repertórios para desenvolver a discussão

Repertório

O que é

Como conectar ao tema

Erro de uso

Lei nº 14.533/2023 — Política Nacional de Educação Digital

Institui uma política articulada entre entes e setores públicos e prevê a promoção e o treinamento de competências digitais, midiáticas e informacionais, com prioridade para populações mais vulneráveis.

Sustenta que inclusão digital não se limita ao acesso a equipamentos: ela também exige capacidade de avaliar informações e participar do ambiente digital com autonomia.

Afirmar que a lei já garantiu formação para toda a população ou atribuir a ela uma ação que não aparece no texto legal.

Resolução CNE/CEB nº 2/2025

Institui diretrizes nacionais para integrar educação digital e midiática à Educação Básica, de forma transversal ou como componente específico. Inclui a compreensão de algoritmos, plataformas digitais e suas implicações éticas e sociais.

Fundamenta propostas de currículo e formação docente que ensinem não só a usar ferramentas, mas também a compreender como informações ganham visibilidade.

Reduzir a resolução à restrição de celulares ou afirmar que todas as redes já implementaram suas diretrizes da mesma maneira.

Constituição Federal de 1988, artigo 5º, incisos IV, IX e XIV

Protege a manifestação do pensamento, a liberdade de expressão e o acesso à informação.

Ajuda a avaliar intervenções contra a desinformação: a medida deve ampliar condições para escolhas informadas sem se transformar em controle prévio de opiniões.

Tratar a liberdade de expressão como direito sem limites ou usá-la para defender censura antecipada de conteúdos apenas controversos.

Caminhos de argumentação

Por que ter acesso às redes não garante que a população consiga avaliar criticamente as informações que recebe e compartilha?

Formação descontínua para verificar informações

O alcance parcial das práticas registradas pela TIC Educação 2024 mostra que orientação para verificar notícias e comparar fontes ainda não aparece na experiência de todos os estudantes consultados. Quando essas habilidades dependem de atividades isoladas, o aluno pode aprender a operar uma plataforma sem examinar quem publicou uma mensagem, quais provas a sustentam ou se o conteúdo foi retirado de contexto. Aparência profissional, repetição e popularidade passam então a ser confundidas com confiabilidade. A consequência não é apenas acreditar em um erro: o usuário também pode reproduzi-lo e ampliar seu alcance antes de consultar outra fonte.

Distribuição que influencia a visibilidade

Compartilhamentos feitos por usuários convivem com sistemas que selecionam, ordenam e recomendam conteúdos. As diretrizes da UNESCO defendem transparência sobre esses mecanismos porque a visibilidade não depende somente de quem publicou. Isso não significa que toda mensagem popular ou recomendada seja falsa, mas impede atribuir o problema exclusivamente à falta de atenção individual. Sem informações compreensíveis sobre recomendações e sem recursos para controlar o que aparece no feed, o usuário encontra mais dificuldade para perceber por que recebe determinados conteúdos. Assim, formação crítica e responsabilidade das plataformas precisam atuar de maneira complementar.

Rotas de intervenção

Formação continuada em educação midiática

  • Agente: Ministério da Educação, em cooperação com redes estaduais e municipais de ensino.

  • Ação: implementar um programa continuado de educação digital e midiática na Educação Básica.

  • Meio: formar professores e oferecer atividades que ensinem a verificar autoria, evidência, data, contexto e intenção, integradas às diferentes áreas do currículo.

  • Finalidade: desenvolver autonomia para avaliar e compartilhar informações com responsabilidade.

  • Detalhamento: priorizar redes com menor oferta de formação e avaliar a aprendizagem por projetos de análise e produção de conteúdos, não apenas por presença em cursos.

Transparência e controle sobre recomendações

  • Agente: plataformas digitais que oferecem feeds e sistemas de recomendação ao público brasileiro.

  • Ação: tornar mais compreensíveis os critérios que influenciam as recomendações e ampliar o controle do usuário sobre elas.

  • Meio: explicar por que uma publicação foi recomendada, oferecer opções acessíveis para ajustar o feed e publicar relatórios sobre riscos e medidas contra distribuição artificial coordenada.

  • Finalidade: permitir escolhas informadas e reduzir a ampliação opaca de conteúdos enganosos.

  • Detalhamento: viabilizar análise independente com dados agregados, protegendo dados pessoais e oferecendo canais de contestação contra decisões da plataforma.

Perguntas para orientar seu planejamento

Use estas perguntas para escolher e testar seu caminho argumentativo; não é necessário desenvolver todas.

  • Por que saber usar uma rede social não significa saber avaliar a confiabilidade de uma mensagem?

  • Quais sinais ajudam a distinguir um erro compartilhado sem intenção de uma ação deliberada de desinformação?

  • O ensino de verificação ocorre de forma contínua ou depende de iniciativas isoladas?

  • Como formar adultos e pessoas idosas que estão fora da educação escolar?

  • Por que responsabilizar somente o usuário deixa de explicar como conteúdos ganham visibilidade?

  • Que informações sobre uma recomendação ajudariam o usuário a decidir se deve confiar nela?

  • Como enfrentar conteúdos enganosos sem transformar a intervenção em controle prévio de opiniões?

Leia também

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Perguntas frequentes

O que é o Agente na proposta de intervenção sobre desinformação no ENEM?
O Agente é quem vai executar a ação para resolver o problema. Neste tema, agentes válidos e fortes incluem o Ministério da Educação (para ações nas escolas), as próprias plataformas digitais (redes sociais e aplicativos de mensagem) ou o Ministério das Comunicações. Evite agentes genéricos como "a sociedade" ou "as pessoas".
O que é a ação na proposta de intervenção sobre desinformação?
A ação é aquilo que o agente fará para enfrentar uma causa discutida na redação. Um exemplo é implementar formação continuada em educação midiática nas escolas. Outro é tornar mais claros os critérios usados pelas plataformas para recomendar conteúdos.
O que é o meio na proposta de intervenção sobre desinformação?
O meio — também chamado de modo — explica como a ação será executada. Uma formação em educação midiática pode ocorrer por meio da capacitação de professores e de atividades que ensinem os estudantes a verificar autoria, evidências, data e contexto das informações.
O que é a finalidade na proposta de intervenção sobre desinformação?
A finalidade indica o resultado que a intervenção pretende alcançar. Nesse tema, pode ser desenvolver a autonomia dos estudantes para avaliar informações ou permitir que usuários compreendam por que determinados conteúdos aparecem em seus feeds.
O que é o detalhamento na proposta de intervenção sobre desinformação?
O detalhamento acrescenta uma informação que torna a proposta mais específica e executável. É possível detalhar o público prioritário, a frequência da ação, a responsabilidade do agente ou a forma de avaliação. Por exemplo: priorizar redes de ensino com menor oferta de formação midiática e avaliar a aprendizagem por projetos de checagem.